Meu Destino É Santarém

Meu destino é santarém, uma ação entre amigos, um câncer, uma estreia.

O texto de “Meu destino é Santarém” foi escrito em 2015, e lido pela primeira vez na casa do ator Roberto Frota, querido amigo e mentor. Seu incentivo e entusiasmo com o texto foi um grande motivador para começar essa empreitada. Inicialmente o texto foi lido por mim e pela querida amiga, a atriz Elea Mercúrio. Quase um ano depois,  nasce o espetáculo “Meu Destino é Santarém”. E nasce com a alegria de sido selecionado no Edital de Ocupação Artística do Teatro Municipal de Niterói, de 2016, para estrear no segundo semestre. Nos papéis de Jonas e de Lua, os incansáveis e determinados atores e amigos queridos, Marcelo Matos e Elea Mercúrio. A produção coube àquela que soube vencer um câncer e tocar sua vida como produtora, jornalista e escritora bravamente, porém com muita delicadeza, outra amiga, Cris Pimentel. Como vêem, trabalho com amigos, mesmo quando ainda não os conheço.

Vencer esse edital teve dois grandes significados: estrear a peça no mais tradicional Teatro da cidade de Niterói, um dos mais importantes Teatros do Estado do Rio de Janeiro e também do Brasil, um espaço clássico, de três andares, com 420 lugares, com balcões, plateia e camarotes, ainda respeitando integralmente sua arquitetura original do século XIX, ou seja estreávamos numa das joias raras do Teatro brasileiro, pisando no mesmo palco em que brilhantemente pisaram Procópio Ferreira, Jaime Costa, Paulo Autran e tantos outros gênios do passado do nosso teatro; e, a vitória pessoal da nossa diretora de produção, a produtora Cris Pimentel, moradora de Niterói, que lutou ao longo daquele ano, bravamente, contra um câncer de mama, tendo encontrado nesse projeto a força para superar este difícil obstáculo e se tornar ativista do tema.

                                             Foto de Arony Martins, Teatro Municipal de Niterói.

Em outubro do mesmo ano, “Meu destino é Santarém” recebeu um gratificante convite do Galpão Artur Netto, em Mogi das Cruzes, em São Paulo, para cumprir duas apresentações da peça e realizar palestras e conversas com alunos de cursos de teatro e com o público. O resultado desse encontro foi tão positivo que nos propiciou o início de uma amizade com aquele espaço e um desejo de retornar sempre, além de uma mudança de foco na própria concepção desse projeto.

A partir daí, uma motivação passou a justificar plenamente a realização desse trabalho, o processo de formação de público. Nos tornamos ávidos por levar nosso fazer teatral para todos os cantos do país, e, justamente por se tratar de uma peça que fala das enormes distâncias personificadas nas muitas e longuíssimas estradas que nos separam e nos aproximam é que o binômio peça-formação de plateia se tornaram ambas fundamentais para a realização desse espetáculo.