Meu Destino É Santarém

A Peça

 

A PEÇA:

A história de “Meu destino é Santarém” gira em torno da história de amor de Lua e Jonas. Ela, nascida e criada na fictícia Bom Jesus do Sul, no Sul do Brasil, professora primária, enclausurada naquela cidade, naquela escola, naquela casa; que só conhece o mundo pelos livros de História, e pelas muitas histórias contadas por Jonas. É uma mulher linda e que vive à espera. O encontro na beira da estrada que os aproxima de forma avassaladora, acaba por trazer consequências igualmente devastadoras. Numa intersecção da estrada o amor se abateu sobre os dois corpos em forma de uma dependência física incondicional. “O sol e a Lua, juntos? Só é possível nesse quarto”. Diz Lua, em um de seus devaneios. Esse amor insano, inconsequente, possibilita a história, tematiza e dá protagonismo a um Brasil pouco percebido, pouco conhecido por nós, um Brasil de fora do mundo. E, apesar de ficcional, um Brasil tão real quanto o que o que vivemos.

A MÚSICA E A LUZ EM CENA:

A musicalidade de peça se propõe a fazer mais do que fornecer o “clima”, dar o tom das cenas. A música, ao vivo, executada pelo violonista carioca Vini Couto, de formação erudita, com mestrado em Portugal, e define contornos, intervém na cena, é gerador e apaziguador de conflitos.

LUA: “Ouve? Ouve essa música? Deve ser a vizinha. Linda, não é? Dança comigo? Dança? ” Diz Lua ao seduzir Jonas dançando para ele e tirando a roupa para terem uma longa noite de amor.

Assim como a Luz, de Paulo Denizot, que se propõe, num primeiro momento a ambientar, mostrar e consolidar os sentimentos transbordados em cena, para no terceiro e último ato (atos curtos, diga-se de passagem) impor uma atmosfera de delírio, que abre um enorme leque de possibilidades sobre o próprio entendimento mais linear do que é a peça, se uma história real ou um delírio de uma mulher já destruída pela solidão dos muros impossíveis de serem transpostos.